Por Patricia Jacob*
Continuando o tema do último artigo, hoje vamos falar um pouco sobre como lidar com as diferenças num relacionamento afetivo. Bom, o ser humano é historicamente avesso ao diferente, não é? Acompanhamos mundo afora guerras e conflitos horrorosos simplesmente por não se tolerar o diferente.

Vemos o tempo todo pessoas sofrendo preconceitos que bombardeiam sua auto-estima apenas por serem diferentes do padrão. E nos relacionamentos amorosos acabamos atuando da mesma forma: lutamos e brigamos e fazemos das nossas vidas afetivas verdadeiras guerras tentando fazer com que nossos parceiros pensem, sintam e ajam como nós! Brigamos ao invés de aproveitar as diferenças e o que é único do outro! Brigamos ao invés de aceitar o outro do jeito que é e aprender com o que ele tem que nós não temos.

Claro que há coisas que são inaceitáveis e que sabemos que não toleramos e não toleraremos nunca. Mas normalmente nem escolhemos como parceiros pessoas com tais características inaceitáveis pra nós. Acabamos brigando por diferenças que no começo da relação achávamos até engraçadinhas ou interessantes. Vamos ficando intolerantes ao longo do tempo e nos achando donos de nossos parceiros, ao ponto de querer que mudem até suas personalidades!

Mas como não cair nesse perigo? Treinando e construindo dentro de nós tolerância, empatia e aceitação, ao invés de nos enchermos de expectativas de como nossos parceiros deveriam ser. Muitas pessoas confundem aceitação com submissão. Mas aceitação não significa ter que tolerar tudo ou abrir mão de tudo, mesmo não estando confortável com a situação! Não significa sujeição a tudo.

Não significa que não há desentendimentos e necessidade de ajustes. Significa ver o comportamento do outro de uma forma mais ampla, ver que seu parceiro é alguém com uma individualidade e com um temperamento diferente e levar isso em conta sempre. Significa amar o outro pelo que ele é. Aceitação é um ato de amor.

Tem uma parte de um poema que acho lindo de Luiz Poeta, que diz assim: “quanto mais fores o que quiseres, mais sereis o que eu queria“. Não é assim que deveria ser? Quanto mais pudermos ser espontâneos e quanto mais formos aceitos pelo que somos, mais felizes seremos. E amar não deveria ser ter prazer em ver o outro feliz?

*Patricia Jacob é psicóloga formada pela USP-SP.