Por Patricia Jacob*

“Como atrair o consumidor infantil, atender às expectativas dos pais e ainda, ampliar vendas“. Esse foi o tema de uma pesquisa feita em 2003 pela TNS InterScience, empresa especializada em pesquisas de mercado. De acordo com eles, o tipo de propaganda que mais dá resultado é (por ‘resultado’, entende-se: crianças incomodando os pais sem parar, querendo tal brinquedo ou tal marca de bolacha, até que os pais se cansem de escutar e comprem): 1) anúncios de TV (elas passam horas hipnotizadas na frente da telinha); 2) associação de produtos ou serviços a personagens famosos (se um pula-pula custa X reais, um pula-pula “do Dragon Ball Z“ igualzinho custa 3X); 3) as embalagens (criança é visual: quanto mais colorido o pacote, mas chama a atenção).

 

Ui! Só o nome da tal pesquisa, envolvendo manipulação com a cabeça da criançada, já me causa arrepios! Se nós, adultos barbados e teoricamente conscientes de nossos atos e com capacidade de julgamento, somos facilmente manipulados pelas propagandas e pela mídia, imaginem como fica a cabecinha das crianças ao assistir toneladas de propagandas anunciando itens deliciosos ou divertidíssimos?

 

Toda propaganda nos diz direta ou indiretamente que seremos mais felizes ou mais populares se consumirmos o produto anunciado. E o grande problema é que as crianças realmente acreditam no que é dito a elas!!! Elas são muito vulneráveis e ainda em processo de desenvolvimento. Isso é tão perigoso que pode gerar erotização precoce, obesidade, stress familiar, violência (já viram casos de adolescentes roubando pra ter o tênis de marca que não podem comprar?), excesso de apego ao material… É realmente algo muito sério.

 

Os pais devem ajudar, criando situações de lazer que não envolvam qualquer tipo de publicidade e mídia (passear no shopping não vale!), reduzindo o tempo da criançada em frente à TV, sempre conversando com eles sobre isso, pra que desenvolvam espírito crítico e não virem “maria-vai-com-as-outras“, e sendo modelos saudáveis de consumo consciente!

 

Pra quem quiser conhecer formas de preservar as crianças dos impactos da publicidade, pode acessar o site www.criancaeconsumo.org.br e baixar um livreto muito legal e gratuito (‘O que fazer para proteger nossas crianças do consumismo’) do Instituto Alana, que tem feito um trabalho importantíssimo na tentativa de acabar com a publicidade infantil. Tem também o link da campanha: http://www.publicidadeinfantilnao.org.br.

Vamos assinar e ajudar?

*Patricia Jacob é psicóloga clínica formada pela USP-SP.