Por Patricia Jacob*
Como vocês estão agindo, pai e mãe, na educação de seus filhos? Podemos dizer que estão mais para Marido E Mulher ou Marido X Mulher? Estão trabalhando juntos na educação de seus filhos como um “time”, ou estão transmitindo mensagens conflitantes, não respeitando a opinião um do outro? Se estão mais para Marido versus Mulher, então é um motivo pra se preocuparem… Estão vivendo uma situação familiar infelizmente bastante comum, mas também muito prejudicial na educação das crianças.

Veja se você conhece essas situações: a mãe está a meia hora mandando o filho ir tomar banho, o pai assistindo TV tranquilamente, até que a mãe “estoura” e sai levando o filho para o banheiro pelas orelhas. Nesse momento, o pai fica indignado e critica a ação da mãe na frente do filho. Outro exemplo: o pai deu um castigo para o filho -ficar sem vídeo-game por uma semana- e a mãe, com dó, tira a criança do castigo antes do combinado.

É claro que qualquer casal “normal” uma hora ou outra discorda quanto à educação dos filhos. São dois indivíduos que vieram de famílias, ambientes e sistemas educacionais diferentes, e que agora têm que achar um ponto de equilíbrio entre o pensamento dos dois para educarem uma nova geraçãozinha. Algo essencial para o papel de pais, é que o casal converse sobre o que cada um pensa, escute a opinião um do outro, discuta, chegue a um ponto comum e resolva com que visão irão educar seus filhos. Os dois têm que passar a “falar a mesma língua”. Mas isso é assunto para ser discutido em particular! Criticar e “negociar” tem que ser feito longe dos filhos.

Esse tipo de situação é prejudicial tanto para o relacionamento do casal, quanto para o desenvolvimento dos filhos. Pode prejudicar o relacionamento da criança com um dos pais (principalmente se formar aquela situação “mamãe, a chata e papai, o bonzinho” -ou o contrário), pode tirar a autoridade de um dos membros do casal, ou as crianças podem crescer aprendendo a manipular essas situações para sempre conseguir o que querem, ou passar a se sentir culpados pelas brigas constantes dos pais.

Se educar um filho é uma das tarefas mais difíceis, quem dirá então se não temos o apoio, o respeito e a ajuda do(a) companheiro(a)?

*Patricia Jacob é psicóloga clínica formada pela USP-SP.