Por Patricia Jacob*
Encerrei o artigo anterior com a pergunta: “É possível controlar ações de raiva?”. Agora respondo: SIM, porque a raiva é mais do que uma simples uma reação física. Antes da reação física, é necessário que haja um processo de pensamento, mesmo que este seja muito curto. É assim que funciona: nós vemos ou ouvimos algo, avaliamos de acordo com nossas próprias experiências e valores, e então ficamos bravos. Para controlarmos é necessário intervir nesse processo do pensamento ou então tentarmos deixar a coisa “esfriar” para que novamente consigamos pensar com clareza.
Lidar com a raiva é bastante difícil, mas não é impossível. Estas idéias podem ajudar:
· Reduza focos de frustração em todas as áreas de sua vida, o máximo que puder, e ficará mais fácil reagir melhor aos seus filhos.
· Aprenda formas de diminuir o stress do dia-a-dia (massagem, meditação, relaxamento, atividades esportivas, etc).
· Tire um tempo pra si mesmo. Nós nunca “encontramos” tempo pra nós, temos que “exigí-lo” de nós mesmos e dos outros. Tempo pessoal pra fazer o que se gosta é uma necessidade e não um luxo!
· Admita estar com raiva. Raiva negada torna-se um veneno interno. Não há benefício algum na paciência forçada que explode de repente e toma conta de nós.
· Encontre sua forma de “colocar a raiva pra fora” sem que precise magoar ou machucar ninguém. Caminhar, correr, escrever sobre sua raiva, socar um travesseiro, varrer a calçada bem forte, cantar numa voz bem alta, gritar dentro do carro com o vidro fechado (ninguém escuta!), contar até 10… enfim, qualquer coisa que o faça retomar o processo de pensamento. Ter alguém com quem você possa conversar também ajuda a ver as coisas de forma mais clara.
· Use “eu” para se expressar quando está com raiva, não “você”. Percebam a diferença entre: “Eu estou muito bravo! Eu não gosto de ver brinquedos jogados pela casa toda!” ao invés de… “Seus preguiçosos! Vocês me deixam louco quando esparramam coisas pela casa toda!”. Assim não vai afetar a auto-estima de seus filhos.

No entanto, ajuda profissional pode tornar-se necessária se os pais nunca aprenderam a lidar com a raiva de maneira eficaz quando crianças.
Continuaremos com esse tema no próximo artigo. Até mais!

*Patricia Jacob é psicóloga clínica formada pela USP-SP