“Ai…lá vem a segundona brava de novo!” ou “Como é difícil voltar das férias!” são sentimentos e pensamentos que nós, adultos, temos o tempo todo, não é? Vamos imaginar então as crianças, que estão apenas começando a aprender a lidar com as frustrações inevitáveis da vida. Estão começando o tão difícil aprendizado de que a vida não é só aquele mar de prazeres que eles querem que seja e de que os prazeres têm fim.

Então agora, que o fim das férias de Julho estão pra chegar, os pais já devem esperar ver a criançada e os adolescentes reclamões, lentos, se arrastando pra chegar à escola, irritadiços… Nós, adultos, deveríamos saber que isso é normal e que passa, devemos compreender, acolher esse sentimento, ter paciência, dar muito colo e ouvir as reclamações até que isso tudo passe e eles voltem ao pique novamente.

A volta das férias de Julho tem um agravante, pois não tem as novidades que o começo do ano traz: material novo, professores novos, há sempre alguma coisa que estimula um pouco mais essa volta às aulas. Além disso, as férias de Julho são curtinhas e eles sempre voltam com a sensação de que não foi suficiente. Ou seja, pais, precisamos do dobro da paciência para lidar com eles agora!

E mesmo os vendo sofrer um pouco, temos que “aguentar” vê-los sofrer, pois isso é um importante aprendizado. O aprendizado de que a vida não pode ser e nunca será aquela vidinha cor-de-rosa e perfeitinha que insistentemente achamos que deveria ser. Eles têm que aprender (e nós também) a lidar com essa realidade: a vida real é sempre entremeada por prazeres e conflitos, momentos felizes e momentos não tão felizes… o tempo todo!

Conflitos e dificuldades diferentes, de acordo com a época da vida em que nos encontramos, mas vão estar sempre presentes de uma forma ou outra. E se a gente não aprende a lidar com essa realidade desde crianças, passamos nossa vida inteira esperando o “depois”, o “futuro” quando pudermos solucionar todos os problemas que nos angustiam agora e aí sim, poderemos ser felizes. Viveremos sempre frustrados. E com isso nossa vida vai passando e não vivemos os momentos de felicidade do hoje, do agora, que também estão presentes o tempo todo, mas que precisam mais de nossa atenção!

*Patricia Jacob é psicóloga clínica formada pela USP-SP.